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[Critica]: Bad Boys Para Sempre impressiona pelo roteiro bem escrito mesclando a comédia, ação e emoção na dose certa.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020


E entre 1995 a 2020 já se vão vinte e cinco anos passados e eis que neste inicio de nova década chega aos cinemas a continuação de uma das franquias de ação de maior sucesso das ultimas duas décadas e meio passadas. “Bad Boys For Life” no titulo original ou “Bad Boys Para Sempre” no nosso bom e velho português. Confesso que eu nunca tinha assistido aos dois primeiros antes de receber o convite da distribuidora Sony Pictures Brasil para ir prestigiar a pré-estreia desta terceira parte na cabine de imprensa. Por conta disto, corri até a Netflix para assisti-los.



Entre o filme de estreia até chegar neste novo é bem perceptível a evolução do roteiro e desenvolvimento de seus personagens centrais, secundários e elenco de apoio. Falo isto porque os dois primeiros foram dirigidos por Michael Bay (que tem um estilo de filmagem bem duvidoso, um pouco esquizofrênico), “Transformers” e os trezentos milhões de filmes da franquia estão ai e não me deixam mentir. E falando no senhor Bay, ele faz uma rápida participação no longa assim como também apareceu no filme anterior. 



Originalmente Bad Boys 3 estava programado para ser dirigido por Joe Carnahan, porém devido à divergências criativas com Will Smith durante o processo de realização do novo projeto, o rapaz cedeu o posto aos jovens diretores belgas Bilall Fallah e Adil El Arbi que também são atores (mas aqui no filme eles apenas os dirigem). Por isso o filme demorou a chegar às telonas, ele já deveria ter sido lançado lá em 2017, mas valeu muito a pena esperar mais alguns anos. O resultado é bastante satisfatório! Aqui nesta nova aventura policial somos agraciados com uma direção precisa, coerente, dinâmica, fluída e muito estilosa trazendo os já cinquentões Will Smith e seu parceiro Martin Lawrence interpretando seus marcantes e carismáticos personagens Mike (Smith) e Marcus (Lawrence) e o elenco também conta com Vanessa Hudgens, Alexander Ludwig, Charles Melton, Jacob Scipio e a belíssima mexicana Paola Nunez fazendo parte da nova equipe de apoio do departamento policial chamada AMMO

Todos atuando adequadamente em relação ao que foi entregue para cada um desenvolver em cena. Cito especialmente as interpretações de Vanessa e Paola, que dão o toque de “girl power” duronas na queda sem perder a feminilidade ao filme. Dando um contraponto com toda a masculinidade que existe em filmes desse gênero onde a testosterona dominam. 


A estrutura do roteiro gira basicamente em torno da tentativa de desmantelamento do cartel de drogas chefiado por Armando Armas (Scipio). Armando é um assassino de sangue frio com uma natureza cruel e provocadora. Ele está comprometido com o trabalho do cartel e é enviado por sua mãe Isabel (Kate del Castillo) para matar Mike mas ai num plot twist surpreendente da trama ficamos sabendo os reais motivos por trás do desejo de vingança de Isabel e seu filho, dando mais profundidade e camadas emocionais aos personagens envolvidos no arco principal. Falando em emoção, neste novo projeto, o sentimentalismo e sensação de perda ganha espaço em situações como uma tentativa de assassinato de tal personagem que o deixa lutando pela vida e outra cena em que outro importante personagem da franquia também é baleado, mas infelizmente não sobrevive além de outras questões da vida cotidiana familiar que existe ou pode acontecer na realidade. O humor em tom de comedia ainda existe, porém, desta vez as "piadinhas” machistas, misóginas, racistas e homofóbicas (parece que desta vez os roteiristas entenderam que não tem nada de engraçado em disseminar preconceitos na boca dos personagens) perderam peso em comparação aos dois outros filmes anteriores que fazem uso massivo destes tópicos que exemplifiquei acima. Existe uma tentativa de “politização” aqui e acredito que acertaram a mão, mas sem perder a graça.


Com toda certeza essa terceira parte é a melhor de todas tecnicamente falando. O design de produção, direção de arte, cenografia, locações envolvendo pontos turísticos de Miami (Florida) e México é surreal. Os competentes diretores fazem uso de câmeras em planos abertos e detalhe, com pouquíssimos planos fechados. Destacando a movimentação de câmeras fixas ou em movimento quando os personagens estão dialogando ou dentro da ação frenética do filme, onde eles preferem aderir ao uso de câmeras em travellings verticais (que são aqueles em que a câmara se desloca para cima ou para baixo, em geral com o auxílio de um equipamento específico chamado de grua) em 90° e 360° graus dando um panorama geral sem necessidade de cortes rápidos que faz com que o telespectador permaneça envolvido acompanhando o desenrolar da história. Destaco quatro sequencias de confronto com os vilões em que os diretores junto com o diretor de fotografia conseguiram fazer um belíssimo trabalho! A fotografia junto com a cenografia utiliza iluminações em tons neon e cores quentes para contrastar com a ambientação solar onde se passa a película. 


Em uma determinada cena com os tais bandidões, tem uma parte que Mike se arrasta em cima daqueles carrinhos de levantar pinel de carro numa garagem segurando duas armas em mãos e a fotografia coloca uma fumaça rosa através dele em câmera lenta e o resultado é deslumbrante! As sequencias de perseguição pelas ruas e avenidas de Miami são tecnicamente muito bem executadas, não existe confusão narrativa nem geográfica em momento nenhum. 

A trilha sonora é outro personagem à parte que insere ritmos latinos como reggaeton (que está bastante em alta hoje em dia) misturados ao típico hip hop americanos já tradicionais em filmes desse gênero e são encaixadas super bem entre uma sequencia de cena e outra sem atrapalhar a fluidez da narrativa. 



Percebe-se que desta vez a roteirização foi muito bem planejada e depois de tantos anos aguardando, finalmente o resultado entregue às telonas no Brasil, Estados Unidos e mundo afora sem duvidas irá agradar a todos os velhos e novos fãs que forem assisti-lo. E digo mais, pode gastar seu suado dinheirinho no ingresso sem arrependimentos, pois “Bad Boys Para Sempre” entrega um entretenimento de ótima qualidade! Ah, não saiam do cinema antes verem as duas cenas pós créditos. Será que já tem um "Bad Boys 4" no gatilho?!