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Sobre a politização das paradas da diversidade


Queria dizer que o jeito festivo, "gay" (no sentido mais próximo do original) de ser não é desvio do "normal", mas um jeito próprio. Aliás, isso não é prerrogativa de LGBTs. Moro em Recife e, pra utilizar um exemplo hiperbólico bem real, quantos milhões a mais de pessoas comparecem, por exemplo, ao Galo da madrugada do que em manifestações políticas?
Penso que esse preconceito contra as paradas é coisa de mentes que tem padrões heteronormativos internalizados. A velha ideia (estendida às lésbicas, "pintosas", travestis e transsexuais) de que gente "séria" e "respeitável" mesmo fica em casa lavando roupa e cuidando dos filhos e do marido, veste-se de maneira "sóbria", etc. Homofobia, misoginia, machismo, preconceito.

Acho que o que faz as paradas da diversidade serem assim é que a luta LGBT é, antes de tudo, pelo direito de existir, pelo direito de existir como somos, de existir fora dos "guetos". Então, inevitavelmente, a parada da diversidade, como ato político pelo direito de ser diferente, se torna essa festa. Na minha humilde opinião, muito mais linda.
Antes de precisar de direito à saúde. a casar, etc. LGBTs, e, principalmente, travestis e transsexuais, precisam do direito a respirar, a escolher não levar a vida "casa, trabalho, marido/esposa, filhos", a andar purpurinada na rua e sobreviver pra chegar em casa. Quando o único espaço que cabe a elas é a cozinha, ir à rua fazer política é afrontoso; quando tua existência é considerada escandalosa, mostrar-se em público incomoda. Assim, enquanto houver pessoas que reclamem disso, as paradas continuam sendo necessárias. Talvez essas reclamações sejam uma tentativa de vetar, na própria parada, pautas das pintosas, das travestis, das transsexuais, das "afeminadas". Tentativa de tornar a parada mais aceitável aos olhos preconceituosos. Na minha opinião, perderia o sentido de ser (basta dar uma olhada na origem histórica).

Considero que a parada precisa, sim, ser mais alinhada a certas lutas por direitos, mas, pra hoje conseguir entender a diferença entre união civil e casamento civil (cartaz que levei à parada de Boa Viagem), eu tive um privilégio que muitos LGBTs não têm: terminar o ensino médio e entrar em uma universidade. Apesar de todas as críticas, olhares e lâmpadas fluorescentes, as ruas representam um espaço mais aberto a nossa presença que as escolas, as famílias (sim!) e os ambientes de trabalho.

Texto por: Emanuel Rocha, estudante de Direito (Faculdade de Direito do Recife)

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