Resenha: Arte, Sexo e Imperfeição no novo disco da Beyoncé (parte 1)


Numa manhã de sexta feira 13 tomando café quente e ouvindo canções de R&B, recebo a mensagem de que Beyoncé (a Rainha do ritmo) lançou um novo disco - como assim? - pensei, logo após a chocante revelação, pude confirmar com meu próprios olhos a surpresa que a interprete de Single Ladies preparou para seus fãs. Não era apenas o tão esperado disco novo, de bônus, a incrível mulher que dançou 'Lek Lek' no Rock In Rio (ela está ficando boa em criar surpresas) fez 17 clipes de produções espetaculares, alguns em um estilo meio Broadway, meio sobrenatural, filmados em vários lugares como Houston, Paris e até Rio de Janeiro. 

Sem promoção, singles ou qualquer anuncio, o álbum logo se tornou o mais vendido em menos tempo na história da música, chegando ao topo de 108 países e eleito o melhor do ano pela Billboard com a maior nota, sendo seu quinto consecutivo no topo da parada, a única artista a conseguir esse prestígio. Intitulado BEYONCÉ, traz um som dark, sexy, e elegante, diferente de seus antecessores, ela realmente não quer mais ser "o que as pessoas esperam que ela seja", quem assistiu o seu documentário exibido pela HBO e já disponível nas lojas, sabe exatamente o que esperar da artista desde o lançamento do '4'. "Queria apenas fazer minha arte e entregá-la" contou.

Pronto, hora de dá inicio a experiencia 'The Visual Álbum'. Se você escolher entrar de cabeça (como eu) ouvindo e assistindo o disco do começo ao fim, terá a melhor impressão do projeto.



"A cola que junta esse álbum é honestidade" diz a mulher que vomita no banheiro e briga por um secador para ganhar a coroa de Miss em Pretty Hurts, afinal a beleza dói. "Dei minha melhor canção para Beyoncé" foi o que a compositora Sia contou. De fato, é algo que imaginamos apenas a própria cantando, como 'Irreplaceable' ou 'Halo', tem um grande potencial para ser um hit. Uma dura critica aos veículos de comunicação que colocam a mulher como um objeto, refém da cosmética cirúrgica, mostrando o quanto é duro o sacrifício que muitas delas fazem para conquista algo puramente materialista. No final nada disso vale a pena se deixou de ser você mesma e se tornou infeliz e superficial. 

A perfeição é um vício da nação / Beleza dói / Brilha a luz sobre o que é pior / Estou tentando consertar algo / Mas você não pode consertar o que você não pode ver / É a alma que necessita de cirurgia

Se ainda tinha duvidas sobre o feminismo de Beyoncé esse disco tirou todas. Praticamente a artista abordou neste novo trabalho, tudo o que ela é alvo de criticas, principalmente o fato da própria ser uma feminista de peso e a mania de perfeccionismo, que desta vez se livrou totalmente para tudo sair mais espontâneo. 

"Não é só porque você virou mãe, que perde o que você é" essa frase não faria sentido se a sexualidade não estivesse tão explicita nas letras e imagens que cada vídeo ganhou. Beyoncé quer mostrar o corpão que ganhou após muito esforço, afinal foram 25kg perdidos. Ai vamos com um sexy meio American Horror Story, com Beats eletrônicos e imagens andróginas - tudo que vai, te assombra de volta - ela canta em Ghost que ganha uma das melhores e mais finas produções de sua carreira, depois vem Haunted, interpretando uma rica mulher que vive sendo assombrada pelo marido, isso a excita? 

Me dê um tapa / Estou presa à porta / Beijo, mordida, preliminares


Provavelmente a cada segundo, enquanto mostra a bunda e ainda pergunta se ele a quer. Ainda pergunta? A direção é do fodástico Jonas Arkelund, lembram dele? Uma dica: "To Be Continued".

E a sedução não para por ai, desta vez mais pessoal e simples, um preto e branco que muitos consideram "Chic", com Jay-Z na praia e muitos drinques, um dos clipes mais descontraídos do álbum Drunk In Love te leva ao delírio quando vem o refrão 'We be all night, looooove, loooove'. 

- Fico indecente quando o licor me possui - passadinhos? Não para por ai: - Fazemos sexo de novo de manhã. Seus seios é o meu café-da-manhã. Nós vamos, vamos estar a noite toda - isso é o que o rapper diz, podemos imaginar a loucura que acontece entre quatro paredes com esses dois? 

Saindo do hip-hop para a disco music, uma produção já clássica de Pharrell Williams, escrita pelo próprio, Beyoncé, Justin Timberlake, James F., T. Mosley, J. Harmon e co-produzida por Timbaland, toda essa receita resultou em algo puramente divertido e colorido, Blow, que já nasceu pra ser hit. Lembra música que Donna Summer fazia (saudades), quente e retrô. Beyoncé fala de sexo de maneira totalmente inédita e franca neste disco: - Continue fazendo eu gozar, continue. Continue fazendo eu gemer - não existe graça na versão clean, rs. É quase impossível não notar nos videos e letras um constante discurso de feminismo, liberação, e sexualidade. 

No Angel seria a unica coisa que não brilha tanto quanto as outras canções. Diferentes níveis a artista alcança com sua voz nesta (principalmente) e nas demais faixas, imagine um pote com todos os grooves e graves possíveis, ela criou. Uma beleza natural compõe o clipe da garota problemática que diz ao seu homem que ele também não é um anjo.


Seria Yoncé um novo alter-ego? Não sabemos, mas que a produção de Timbalad, Timberlake, Bey, Key Wane e Jerome Harmon e algo abalativo pra dar requebradas violentas até o chão, ah, isso é, afinal "Yoncé, fica na sua boca assim como o licor". E logo vem como um mixtape: - Meu rímel e meu batom estão borrados agora. Oh, ele tá tão excitado, yeah, ele quer fuder - sim, Partition é um orgasmo, literalmente.

"Não posso cantar isso pro meu marido" disse a mulher que dança semi-nua para o próprio que só aprecia no sofá e depois a leva para a limusine para acariciar suas coxas. Apenas imagino a cara do Justin Timberlake ao ouvir essa pérola no estúdio.


Est-ce que tu aimes le sexe? O auge do R&B delicioso pra ouvir no carro. Talvez, a grande polemica da faixa esteja no trecho que Monica Lewinski (ex-estagiária da Casa Branca que fez sexo oral com o então presidente Clinton) é citada como um verbo: - He popped all my buttons, and he ripped my blouse / He Monica Lewinsky-ed all on my gown

Seria Jealous um If I Were a Boy 2.0? Sim, porém um pouco mais agressivo e com imagens de alta burguesia, ela quer chamar a atenção (e fazer um amor porque não) do marido que não dá valor ao que tem em casa: - Estou seminua na minha cobertura. Cozinhei esta comida para você nua. Então onde você está? - Uma bela atuação da artista que joga tudo o que está na mesa para o chão, ela não pode mais viver dessa forma. Curiosidade, a cena em que aparece andando na rua enquanto pessoas a reconhecem, é totalmente real, a cantora quis pegar a reação natural de todos ao vê la. Se isso fosse no Brasil não ia dá certo, rs.

Com uma produção tão doce quanto Jealous, Rocket é sem dúvida a mais sensual, com direito ao clímax com um cigarro, acariciando a bunda, e até toda molhada com uma blusinha branca transparente. "Deixe eu sentar esta bunda em você" digamos que é o sexy light (oi?) dos demais vídeos, e porque não o mais natural. 

"O que amo dessa canção é que ela te leva a essa jornada, você namorando e falando coisas arrogantes" disse a cantora. Rocket foi escrita pela própria, Timberlake e Miguel. 

Depois de se assumir bêbada de amor pelo marido, ficar molhadinha, entre outras coisas, a artista vira um ícone da arte para cantar a conceitual Mine ao lado de Drake. A belíssima produção de Noah '40' ganha imagens um tanto delicadas com um toque de gênio. Com certeza as melhores fotografias são deste vídeo.

Semana que vem a segunda parte dessa longa experiencia... Irei falar da polêmica envolvendo 'XO' e 'Fawless', entre outras coisas mais picantes. 

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